A comunicação com o paciente pode, em um primeiro momento, ser entendida como uma tarefa muito simples e cotidiana.

Mas para que o tratamento e os cuidados que a enfermagem presta sejam de fato efetivos e contribuam para a melhora do paciente, precisamos estar sempre atento ao que falamos, ao modo como falamos e as posturas e expressões que fazemos, mesmo inconscientemente.

No entanto, existem muitas especificidades que devem ser levadas em consideração, por exemplo:

  • Como se comunicar com um paciente que possui algum tipo de déficit comunicativo, como surdez, por exemplo?
  • Se um paciente acabou de ser diagnosticado com um grave doença, como devo me portar a ele?
  • Será que o paciente realmente entendeu o que eu quis dizer?

São perguntas difíceis de serem respondidas, não concorda?

Pois bem, para ajudar você a se comunicar melhor com seus pacientes, preparamos este guia completo com técnicas de comunicação que são terapêuticas, sou seja, promovem o cuidado e o bem estar do paciente e também com técnicas não-terapêuticas – que podem prejudicar o tratamento.

Mas antes, vamos começar do começo! Precisamos ter algumas definições em mente:

O que é Comunicação?

A comunicação é a troca de mensagens entre interlocutores (pessoas), em um grupo ou entre indivíduos. Ela é classificada em dois tipos:

Comunicação verbal: trata-se da linguagem escrita ou falada, seja por meio de sons ou palavras.

Comunicação não verbal: é quando os enfermeiros se comunicam por meio de expressões faciais e corporais, que não podem ser transmitidas por meio da fala. Por exemplo: cruzar os braços para o paciente: pode indicar algo negativo, uma reprovação. Tocar os ombros do paciente pode significar apoio e transmitir sentimentos de segurança e confiança, etc.

comunicacao

Importância do Processo Comunicativo na Enfermagem

É importante lembrarmos que, para que uma comunicação entre a equipe de enfermagem e os pacientes seja efetiva, é necessário que essa comunicação seja clara. Vamos imaginar a seguinte situação:

Você está cuidando de um paciente com diabetes e vai orientá-lo com relação à medicação por via oral que ele precisa tomar regularmente:

Você: – O senhor precisa tomar a medicação da diabetes todos os dias pela manhã, tudo bem?

O paciente diz: – Tudo bem.

Uma semana depois, o paciente aparece na unidade com a diabetes descompensada.

Será que poderíamos atribuir esse fato a uma comunicação que não foi clara?

Resposta: Sim! Vamos entender os seguintes pontos:

Antes de orientar o paciente sobre o uso do medicamento, é necessário sabermos que: qual o nível de formação do paciente? Ele sabe ler? Escrever? Ele sabe o que é diabetes? Sabe o que é e como funciona o medicamento no corpo dele? Será que ele sabe o que pode acontecer se ficar sem tomar o medicamento? Ele sabe dizer ou explicar o que pode acontece caso ele adote hábitos de vida ruins ou bons?

Tudo isso é necessário para que possamos estabelecer uma comunicação eficaz para com o paciente. Muitíssimas vezes, a grande maioria possui apenas noções muito básicas sobre o tratamento e os riscos que podem ter se não segui-lo.

Por isso, é importante estarmos atentos a esses fatores.

Para ajudar os profissionais da enfermagem a se comunicarem melhor, existem as técnicas de comunicação terapêuticas e não terapêuticas. Vamos conhecer quais são:

Técnicas de Comunicação Terapêuticas

As técnicas de comunicação terapêuticas são aquelas que ajudam os pacientes a lidarem com a dor, ansiedade, bem como os ajudam a enfrentar situações de estresse e de crise. São técnicas que visam o cuidado integral do ser humano.

comunicando com o paciente

As técnicas são:

Escutar ativamente o paciente

Significa estarmos atentos ao que os pacientes tem a nos dizer. Muitas vezes, estamos ouvindo os pacientes mas não estamos nos questionando sobre o que ele de fato está dizendo. Escutar significa extrair a informação que o paciente nos dá e utilizar isso para realizarmos o cuidado.

Compartilhar suas observações com o paciente

Quando falamos para o paciente o que nós estamos observando nós estamos nos abrindo para ele. Isso pode criar uma relação de confiança que pode ser muito útil no tratamento. Por exemplo, a enfermeira relata para o paciente: Senhor João, acho que a cor da sua pele hoje de manhã está bem melhor do quando o encontrei ontem!

Observe que essa informação (melhora do tom da pele) poderia ser facilmente inserida no relatório de enfermagem. Mas a enfermeira resolveu compartilhar suas observações com o paciente.

Para o paciente, isso pode ser muito bom, pois demostra que você está interessado no caso dele, ou que está observando atentamente a melhora do quadro clínico dele.

Ter empatia na Comunicação

A empatia é a capacidade de nos preocuparmos com a realidade do outro. Isso ajuda a criar uma forte relação de confiança entre o profissional e os pacientes.

Mas como transmitir empatia pela comunicação?

Primeiramente, busque se colocar no lugar do paciente e busque entender a situação que ele está vivenciando.

Podemos dizer, por exemplo: “Deve ser muito difícil sentir essa dor forte no abdômen, o que você acha que ajudaria a aliviar um pouco mais a dor?”

Isso demostra que você está ciente da situação do paciente e que está disposto a ajudá-lo a melhorar.

Falar sobre Esperança

A esperança ajuda o paciente a se motivar e o encoraja a buscar e a lutar pela melhora. Isso é de grande ajuda, principalmente em pacientes que estão desmotivados ou desesperançosos.

Um exemplo, seria o profissional dizer: eu acredito que você é forte o suficiente para enfrentar essa doença.

Mas tenha cuidado ao dar falsas esperanças ao paciente. Por exemplo: Um paciente que está em estado grave, vai ser submetido a uma cirurgia muita complicada. Seria imprudente dizer: Fica tranquilo, tenha esperança de que você vai ficar ótimo ao final do procedimento cirúrgico.

Utilizar o Toque Terapêutico como Forma de Comunicação

Atualmente, vivemos em uma era tecnológica que nos traz diversos benefícios e vantagens, mas que nos distancia enquanto seres humanos.

O toque pode ser vista como uma forma de comunicação terapêutica que promove conexão e transmite confiança e aceitação aos pacientes.

O toque terapêutico pode ser de três tipos:

  • Toque instrumental: é o toque físico relacionado a um procedimento, como realizar um curativo ou mover o paciente no leito.
  • Toque afetivo: essa é uma forma de comunicação não verbal que também promove ajuda em termos psicológicos. É um tipo de contato espontâneo e despretensioso. Por exemplo: aperto de mão, toque nos ombros, etc.
  • Toque terapêutico: compreende tocar o paciente com a intenção de ajudá-lo energeticamente. Por exemplo: tocar o braço do paciente em sinal de apoio emocional ou para transmitir segurança em algum momento de dor.

Utilizar o Silêncio

Em muito momentos, não é necessário dizermos nada. Apenas estar com o paciente fisicamente, em silêncio, pode ajudá-lo a melhorar e a perceber que pode contar com você caso precise.

Ou por vezes, o profissional de enfermagem também podem empregar o silêncio para dar oportunidade de o paciente iniciar a conversa e se sentir que tem um espaço onde ele será ouvido.

Cabe ressaltar, no entanto, que ao empregarmos o silêncio como técnica de comunicação terapêutica, devemos estar atentos a nossa postura e expressão facial, uma vez que elas também transmitem mensagens aos nossos pacientes.

Parafrasear o Paciente

Parafrasear significa dizer ao paciente o que ele acabou de lhe falar. Vamos ao exemplo

Paciente: – Então eu irei tomar a medicação todo dia de manhã, assim que acordar, porque logo depois tenho muito o que fazer em casa e no trabalho.

Enfermeiro: – Sim. Assim que o senhor acordar, irá tomar a medicação todo dia de manhã, e depois poderá fazer outras atividades.

Observe que o enfermeiro parafraseou o paciente, não repetindo exatamente o que ele disse – o que poderia ser mal interpretado, mas sim reafirmando o que o paciente acabou de dizer.

Usar Linguagem Clara

Evitar ao máximo usar termos técnicos ou jargões da área médica ou de enfermagem junto ao paciente.

Devemos sempre ter em mente que os pacientes são leigos no assunto e precisam de explicação sobre tudo o que pode lhes acontecer quando estiverem sob internação ou tratamento médico.

Portanto, é importante utilizarmos uma comunicação que seja clara, precisa e que não deixe o paciente com dúvidas.

Uma técnica que pode ajudar é pedir para que o paciente explique o que você acabou de dizer.

Por exemplo: você acabou de lhe explicar sobre os cuidados que ele deverá ter com uma ferida. Peça ao paciente te explicar os seguintes pontos: Porque o senhor deve fazer o curativo? Com qual tipo de material? Quanas vezes por dia? O que pode acontecer se eu fizer ou não o curativo no horário correto e com a medicação correta? Etc…

Isso é uma forma de validar a informação que você forneceu ao paciente e de promover um maior entendimento por parte do paciente.

Agora que nós vimos as técnicas que são terapêuticas, ou seja, que podem permitir que o paciente se expresse abertamente com a equipe de enfermagem, vamos conhecer as técnicas ou vícios de linguagem que deve ser evitados a todo custo, durante a assistência de enfermagem.

Técnicas de Comunicação Não Terapêuticas

As técnicas não terapêuticas são aquelas que atrapalham a comunicação, geram desconfiança da equipe de enfermagem, e podem atrapalhar o tratamento e processo de cura dos pacientes.

Muitas vezes, praticamos essas técnicas inconscientemente, portanto, precisamos conhecê-las para evitá-las. Elas são:

Dar Opiniões ou Fazer Perguntas Pessoais para os Pacientes

As nossas opiniões pessoais, de caráter individual e que não estão ligadas à assistência de enfermagem, devem ser evitadas a todo o custo. Também deve ser evitadas opiniões baseadas em “achismo”, ou seja, que são desprovidas de cientificidade.

Por exemplo: Acho que você não deveria tomar esse medicamento aqui. Ele deixa as pessoas chatas e insuportáveis. Além disso, fiquei sabendo que a Maria tomou esse medicamento e passou muito mal.

Logo, observa-se que se trata de uma opinião pessoal do enfermeiro e que não está relacionada aos efeitos colaterais de um medicamento, por exemplo.

Além disso, também deve-se evitar fazer perguntas pessoais que são irrelevantes para o caso clínico e que não ajudam no tratamento.

Vejamos a diferença de uma pergunta pessoal – sem nenhum propósito, de uma pergnunta com objetivo terapêutico:

Pergunta pessoal do enfermeiro: Qual sua coloração preferida para tingir os cabelos?

Pergunta terapêutica: Seu cabelo foi tingido? Você aplicou algum tipo de produto que poderia causar inflamação no couro cabeludo?

Dar falsas Garantias

Não se preocupe, vai dar tudo certo!

Tome essa medicação todos os dias e você estará curado rapidamente!

Você irá ficar bem!

Essas são garantias que não podemos garantir que ocorrerão. Isso pode dar falsas esperanças ao paciente e abalar a relação de confiança. Assim, podemos dizer, ao invés das frases que apresentamos, as seguintes afirmações:

A equipe FARÁ todo o possível para lhe ajudar no que for necessário.

Tomar essa medicação todos os dias PODERÁ fazer com que você se cure mais rápido.

Se você se cuidar e seguir os tratamentos propostos, você PODERÁ ficar bem.

Perceba que, ao utilizarmos palavras mais assertivas, podemos fazer com o paciente também perceba que ele é importante para alcançar a cura ou seguir o tratamento.

Portanto, é essencial não dar falsas garantias, mas ao mesmo tempo preservamos a esperança do paciente, pois isso o ajudará a levar adiante o tratamento, bem como o manterá motivado.

Mudar de Assunto Bruscamente

Se mudarmos de assunto, durante a conversa com o paciente, e enquanto ele estava tentando dizer algo, pode prejudicar a relação interpessoal entre o profissional e o paciente.

Também pode ser considerado falta de empatia e de impaciência ao interrompermos o paciente de modo ríspido. O paciente pode ficar mais recuado e guardar para si informações que seriam importantes para guiar o tratamento e os cuidados de enfermagem.

Portanto, essas são as técnicas de comunicação não terapêuticas que precisam ser evitadas.

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Juarez Coimbra

É enfermeiro, doutorando em Enfermagem pela Universidade Federal de Mato Grosso. É Especialista em Saúde Pública e um Apaixonado por Blogs, escreveu o seu primeiro na área de enfermagem ainda em 2014.

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