Os cuidados de enfermagem no pós-operatório são fundamentais para a completa recuperação do estado de saúde dos pacientes. O pós-operatório tem inicio logo após o término do procedimento cirúrgico e se caracteriza pela diminuição dos níveis séricos do anestésico, bem como retorno da dor, desconforto e retorno da consciência.

Portanto, são complexos os cuidados que a enfermagem deverá dispensar aos pacientes. Por isso, costuma-se dividir a fase pós-operatório em três tempos distintos: imediato, mediato e tardio. Vamos conhecer as características de cada fase.

sala de pós operatório
Sala de pós operatório.

Pós-operatório Imediato

Essa fase compreende as primeiras 24 horas após a cirurgia do paciente. É uma fase crítica, ou seja, requer muitos cuidados de enfermagem, pois os pacientes estarão em fase de estabilização dos sentidos, além disso, rotineiramente costumam apresentar quadros de dor aguda nesse período.

A recuperação do paciente também dependerá da complexidade da cirurgia e de um pré operatório bem feito.

Os pacientes em pós-operatório imediato podem ser encaminhados para Unidades de Terapia Intensiva ou Sala de Recuperação Anestésica, a depender da estrutura do hospital. Após os pacientes estarem estabilizados, poderão ser encaminhados para o setor de internação.

Nesse período, os cuidados de enfermagem serão voltados para a estabilização do paciente, ou seja, é necessário estar atento aos sinais vitais, riscos de infecção do sítio cirúrgico, recuperação dos reflexos e da consciência, etc.

Toda a equipe precisará estar treinada para casos de emergência, como paradas cardiorrespiratórias, que podem ocorrer nesse período.

Os cuidados de enfermagem deverão ser voltados para a recuperação rápida do paciente. Vejamos quais são esses cuidados:

Cuidados de Enfermagem no Pós-Operatório Imediato

Os cuidados a serem prestados são:

  • Receber os pacientes do centro cirúrgico com a devida documentação, informando o tipo de cirurgia, tipo de anestesia administrada e possíveis complicações durante o procedimento.
  • Avaliar o estado respiratório e de consciência do paciente.
  • Checar os sinais vitais e detectar anormalidades rapidamente, propondo intervenções terapêuticas que se fizerem necessárias.
  • Colocar o paciente no leito, posicionando-o adequadamente de acordo com a localização da cirurgia. Também é importante, lateralizar a cabeça para evitar a aspiração de vômito, que é um sintoma comum após a cirurgia.
  • Realizar o balanço hídrico do paciente, checando e aferindo as entradas e saídas de líquidos.
  • Avaliar o estado do curativo cirúrgico. Avaliar quanto a: evisceração, hemorragias locais, vermelhidão, etc.
  • Acompanhar o retorno da consciência do paciente, orientando-o a ficar calmo e dando orientações sobre a cirurgia assim que forem necessárias.
  • Propor ao paciente a realização de exercícios respiratórios, como tosse e respiração profunda. Também é necessário avaliar, o acionamento da equipe de fisioterapia do hospital, caso seja necessário.
  • Administrar as drogas que foram prescritas pelo médico e promover troca de decúbito a cada 2 horas, ou conforme a necessidade do paciente.

Complicações

As principais complicações que podem surgir nessa fase são a hipóxia, hemorragia e choque anafilático ou hemorrágico.

A hipóxia compreende a falta de oxigênio em nível tecidual e está relacionada a diferentes causas clínicas, como: excesso de medicamentos analgésicos, respiração inadequada, depressão respiratória, etc.

A hemorragia pode evoluir rapidamente e causar a morte do paciente, por meio da parada cardiorrespiratória. Ela pode ser interna (de difícil detecção) ou externa (de fácil detecção e contenção). A hemorragia evolui para o choque hemorrágico quando há a presença de sinais e sintomas já instalados no paciente, como: diminuição da pressão arterial, pulso fraco, unhas e dedos cianóticos, nível de consciência baixo, etc.

Além dessas principais complicações, os pacientes também podem apresentar:

  • Náuseas e êmese: Ocorre em pacientes com problemas estomacais ou que não seguiram corretamente a dieta antes da cirurgia. Também podem ocorrer em pacientes sensíveis aos efeitos dos anestésicos. A enfermagem deverá posicionar o paciente em ângulo mínimo de 45º para evitar a aspiração de conteúdo gástrico.
  • Hipotermia: a hipotermia se caracteriza pela diminuição da temperatura corporal abaixo de 35ºC, e pode estar relacionada a hipoglicemia ou devido a efeitos dos analgésicos. Os pacientes precisam ser monitorados a cada 15 minutos nas primeiras horas do pós-cirúrgico. A enfermagem poderá providenciar cobertores ou mantas térmicas.
  • Hipertermia maligna: Apesar de ser uma complicação rara, a hipertermia maligna pode causar a morte do paciente e se caracteriza pelo aumento súbito da temperatura corporal. Suas principais causas estão relacionadas às reações do corpo ao anestésico aplicado e pelo estresse corporal. A monitorização constante da temperatura ajuda na identificação desse quadro clínico.

Pós-Operatório Mediato

Essa fase compreende o período que vai depois das 24 horas até o momento em que o paciente recebe a alta do hospital. Geralmente, as complicações podem ser mais comuns nesta fase do que no pós-operatório tardio, uma vez que os tecidos e o corpo do paciente ainda estão se recuperando do procedimento.

Cuidados de Enfermagem no Pós-Operatório Mediato

Nesse período, os cuidados de enfermagem compreendem:

  • Verificação de sinais vitais do paciente, com especial atenção ao aumento súbito da temperatura, o que pode indicar quadro de infecção.
  • Promover a deambulação precoce, exercícios de tosse e respiração profunda.
  • Realizar a troca do curativo, observando o estado de cicatrização e identificando indícios ou sinais de infecção no local.
  • Administrar a dieta prescrita. Esta deverá ser leve, composta por líquidos ou caldos.
  • Administrar os medicamentos prescritos, observando casos de dor aguda, comuns nessa fase.
  • Realizar o registro completo de todas as informações colhidas junto aos pacientes diretamente no prontuário do mesmo

Complicações

Em relação às possíveis complicações, os pacientes podem apresentar: distensão abdominal, complicações vasculares ou respiratórias.

A distensão abdominal é decorrente da imobilidade do paciente. Ela pode ser evitada com a movimentação precoce, caminhadas leves e exercícios suaves. Também podem ser utilizados medicamentos, como a simeticona – que pode ajudar a diminuir o inchaço.

Já as complicações respiratórias são mais comuns em pacientes que sofreram cirurgias na área dos pulmões ou em pacientes idosos/debilitados, no qual o período de recuperação é maior. As principais complicações podem ser a atelectasia, bronquite e pneumonia.

No que se refere às complicações vasculares, a mais comum é a formação de trombos – fragmentos de sangue coagulado que se prendem ao interior dos vasos sanguíneos, impedindo a passagem de sangue. Geralmente, o paciente apresentará dor no local, desconforto e vermelhidão. Os casos de trombos precisam ser tratados rapidamente, e geralmente os pacientes recebem anticoagulantes e anti-inflamatórios no tratamento.

Pós-Operatório Tardio

Essa fase tem início com a alta hospitalar e vai até o período em que o paciente precisar de cuidados com a cirurgia. Geralmente, as complicações nesta fase são mais raras.

No pós-operatório tardio, os cuidados de enfermagem serão a longo prazo, e demandarão cuidados específicos com a ferida cirúrgica e com a recuperação do paciente.

As complicações nessa fase podem ser: infecção na lesão; evisceração (quando vísceras ou tecidos internos saem pra fora da lesão), e deiscência (é a abertura das bordas da lesão). Em caso de o paciente identificar qualquer um desses quadros clínicos, é necessário que ele esteja ciente de procurar ajuda médica o mais rapidamente possível.

Embora a ferida cirúrgica seja de fácil cicatrização, ela leva algum tempo para cicatrizar. Além disso, demanda alguns cuidados por parte dos pacientes para que ela cicatrize sem nenhum risco de desenvolver infecção.

Portanto, o paciente deverá receber uma orientação clara, sobre todos os cuidados que deverá ter em casa, para se evitar possíveis complicações. A depender do grau de complexidade da lesão, pode ser necessário que o paciente seja acompanhando por enfermeiros de homecare.

Cuidados de Enfermagem no Pós Operatório Tardio

Os principais cuidados de enfermagem para o cuidado de pacientes no pós-operatório tardio são:

  • Orientar o paciente quanto a identificação precoce de sinais de infecção na ferida.
  • Orientar quanto a importância da medicação, tratamento e realização do curativo.
  • Fazer o curativo e demonstrar a técnica junto ao paciente, para que ele possa fazer a troca corretamente (dependerá da complexidade e extensão da ferida).
  • Orientar quanto ao retorno ao médico para a retirada dos pontos e reavaliação da cicatrização.

Para que o paciente tenha alta da Unidade de Terapia Intensiva ou da Sala de Recuperação Anestésica, é necessário que o paciente atenda aos seguintes parâmetros:

  • Esteja respirando espontaneamente, sem necessidade de respirador mecânico.
  • Tenha uma saturação de Oxigênio adequada, de preferência acima de 90%.
  • Esteja com todos os sinais vitais estáveis.
  • Esteja consciente e orientado no tempo e espaço.
  • A dor esteja controlada.
  • Sem náuseas e vômitos.
  • Com débito urinário acima de 30 ml/h.

Portanto, assim que o paciente apresentar todos esses parâmetros, ele poderá ter alta e ser encaminhado para a unidade de internação.

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Juarez Coimbra

É enfermeiro, doutorando em Enfermagem pela Universidade Federal de Mato Grosso. É Especialista em Saúde Pública e um Apaixonado por Blogs, escreveu o seu primeiro na área de enfermagem ainda em 2014.

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