Realizar curativo de lesão por pressão não é tarefa fácil. Isso porque esse tipo de ferida assume algumas características bem peculiares que exigem do profissional de enfermagem, algumas observações. Saiba tudo sobre lesão por pressão aqui!

A depender do grau de estadiamento da lesão e do tipo de tecido que está presente no leito da ferida, utilizaremos terapias tópicas diferentes.

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Neste Post, preparamos um guia completo para você realizar a troca de curativo de lesão por pressão com segurança! Além disso, descrevemos as principais características das coberturas mais utilizadas em ambiente hospitalar, para ajudar você a tomar a melhor decisão.

Primeiramente, é necessário avaliar clinicamente o estado geral da lesão.

Avaliar o Estado da Ferida Antes de Realizar o Curativo de Lesão por Pressão

Primeiramente, vamos avaliar o estado da lesão. Para isso, vamos utilizar a ferramenta TIME. Já ouviu falar dela?

Não se preocupe, é bem simples de entender. A ferramenta TIME é um acrônimo (cada letra significa algo) para guiar a equipe de enfermagem sobre o que ela precisa observar na lesão. Veja o significado abaixo:

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Vamos conhecer o significado de todas as letras.

T: Quais são os tipos de tecido que estão presentes na lesão?

Avaliei primeiramente quais os tecidos você consegue identificar. Possui esfacelo? Possui tecido de granulação? Anote o tamanho, coloração e localização no prontuário do paciente.

I: A ferida tem infecção ou inflamação? Ou apresenta os dois?

A infecção pode ser constatada pela presença de esfacelo em grande quantidade ou por meio de exsudato purulento de coloração amarelada ou esverdeada.

Um outro indicativo forte de presença de infecção em lesão por pressão é a presença de forte odor, que pode se assemelhar a “queijo estragado”. A terapêutica irá buscar reduzir a quantidade de bactérias e microrganismos no leito da lesão.

A inflamação, por sua vez, é facilmente detectável. Quando existe muito eritema (vermelhidão) ao redor da lesão, presença de edema (inchaço), dor no local, e perda de função e aumento da temperatura (sinais flogísticos), a lesão está inflamada.

Nesta situação, cabe a equipe de enfermagem intervir, juntamente com a equipe médica, com medicações para redução do quadro inflamatório.

M: Manutenção da umidade no curativo de lesão por pressão

Um dos princípios fundamentais de um bom processo de cicatrização é a umidade.

Ela é importante porque irá facilitar a migração das células epiteliais no leito da lesão. Além disso, ajudar a manter o meio úmido, essencial para evitar o ressecamento da lesão. Para manter a umidade, utilize sempre o Soro Fisiológico a 0,9% aquecido em temperatura próxima à do paciente, para evitar choque térmico.

E: Epitelização das bordas

Observe, por último, o estado das bordas. Elas estão maceradas? Há presença de túneis (deslocamento da borda da lesão a partir da epiderme)? Elas estão invertidas (pode indica inflamação crônica)? Anote todas as alterações no prontuário do paciente.

Dica importante: a avaliação da lesão utilizando a ferramenta TIME deve ser realizada diariamente, ou conforme as necessidades da equipe de enfermagem. Podem ainda ser realizados registos fotográficos (sempre com autorização escrita do paciente) para acompanhamento da evolução da ferida.

Realizando a Troca de Curativo de Lesão por Pressão

Para realizar a troca de curativo, você precisará reunir os seguintes materiais:

  1. Pacote de curativo estéril (os pacotes de curativos geralmente possuem os seguintes materiais pinças: anatômica do tipo “dente de rato”, pinça Kocher, espátula e compressa de gaze ou cobertura Rayon não aderente);
  2. Soro Fisiológico a 0,9% (aquecido em temperatura similar à da pele do paciente – para isso você precisará aferir a temperatura do paciente e aquecer a embalagem em banho maria, até alcançar a temperatura ideal).
  3. Seringa, preferencialmente de 20mL, com agulha 40 x 12.
  4. Bandeja ou cuba rim, mesa de Mayo ou carrinho de curativos.
  5. Pacotes extras de gazes;
  6. Esparadrapo ou micropore para fixação juntamente com ataduras.
  7. Cobertura indicada;
  8. Forro de papel ou tecido, para isolamento da lesão.
  9. EPIs (toca, máscara, jaleco ou avental, luvas estéreis e óculos de proteção);

Passo a Passo para a Troca do Curativo de Lesão por Pressão

  1. Realize a lavagem das mãos conforme as recomendações de biossegurança. Saiba como higienizar corretamente as mãos aqui!
  2. Reúna o material descrito no item anterior e verifique: data de validade e estado de preservação. Mantenha o material próximo a cama do paciente, para facilitar o manejo.
  3. Confira se é o paciente correto. Identifique-se para ele e para os familiares. Informe os procedimentos que irá realizar.
  4. Equipe-se com os EPIs necessários.
  5. Posicione o paciente no leito de modo a facilitar a troca do curativo.
  6. Exponha a área, avaliando a necessidade de uso ou não de biombos, para manter a privacidade do paciente.
  7. Questione o paciente com relação à dor na manipulação da lesão.
  8. Tracione a pele do paciente, próximo ao início do curativo, para facilitar a sua retirada. Se o curativo estiver seco, hidrate-o com soro fisiológico para facilitar sua remoção.
  9. Remova as coberturas secundária (primeira camada) e primária (segunda camada) delicadamente, para evitar laceração.
  10. Avalie o estado da lesão, por meio da ferramenta TIME.
  11. Retire as luvas e proceda a lavagem das mãos ou aplicação de álcool gel.
  12. Prepare a bandeja de curativos e calce luvas estéreis.
  13. Aspire soro fisiológico com a seringa e aplique jatos no leito da lesão, para remoção de qualquer sujidade ou corpo estranho.
  14. Com uma pinça, faça pequenas “trouxas” de gaze para auxiliar na limpeza.
  15.  Avalie o tratamento e aplique a cobertura/medicamento desejado.
  16. Com a segunda pinça, realize o fechamento da lesão inserindo a gaze estéril ou tecido Rayon não aderente.
  17. Fixe o curativo com auxílio de ataduras.
  18. Despreze o material em local apropriado.
  19. Oriente o paciente quanto aos procedimentos realizados na lesão.
  20. Retire os EPIs e proceda a higienização das mãos.
  21. Mantenha o ambiente em ordem.
  22. Registe em prontuário os seguintes dados: estado geral da lesão, data e horário da troca, responsável, agende a data e horário para a próxima troca, terapia administrada e demais informações que julgar necessárias.

Antes de realizar a aplicação do curativo, vale a pena conhecer as características das principais coberturas utilizadas em ambientes hospitalares. Conheça as principais coberturas para lesão por pressão aqui.

Lembre-se que o enfermeiro, juntamente com sua equipe de enfermagem tem autonomia para definir a melhor abordagem para o tratamento da lesão por pressão, de acordo com a resolução do Conselho Federal de Enfermagem, nº 567/2018.

Ficou com alguma dúvida sobre esse procedimento? Comenta conosco nos comentários!

Juarez Coimbra

É enfermeiro, doutorando em Enfermagem pela Universidade Federal de Mato Grosso. É Especialista em Saúde Pública e um Apaixonado por Blogs, escreveu o seu primeiro na área de enfermagem ainda em 2014.

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