O procedimento de punção venosa periférica, trata-se de inserir um cateter para administração de medicamentos nos vasos sanguíneos do antebraço e da porção superior do punho.

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Também podem ser utilizados os vasos sanguíneos dos membros inferiores. No entanto, lembramos que eles devem ser puncionados em último caso, pois representam alto risco de gerarem trombos nos vasos sanguíneos. Esses trombos podem causar complicações sérias para o paciente, como tromboembolismo pulmonar, acidente vascular cerebral e infarto.

Neste post completo, vamos explicar todos os detalhes que envolvem esse procedimento. Você pode usar a caixa de comentários ao final da página para fazer apontamentos ou tirar dúvidas.

O procedimento de punção venosa pode ser realizado por: enfermeiros, médicos, técnicos e auxiliares de enfermagem.

Punção significa perfurar. A punção dos vasos sanguíneos constitui uma via de acesso a corrente sanguínea que permite a infusão de grandes quantidades de medicamento. Além disso, permite que a ação medicamentosa seja rápida, pois o sangue irá transportar a substância para o órgão alvo em poucos minutos.

Punção venosa periférica:  Do que irei precisar?

Para realizar esse procedimento, você precisará reunir, antecipadamente, os seguintes materiais:

  • 1 par de luvas de procedimento.
  • A medicação que foi prescrita (geralmente ela virá no formato de ampola ou frasco ampola para aspiração ou diluição).
  • Seringa de tamanho apropriado (de acordo com a quantidade de medicação que será infundida) com agulha, jelco ou escalpe (scalp) para estabelecer acesso venoso para infusão de bolsa (bag) de soro.
  • Bolas de algodão embebidas em álcool a 70%.
  • Material para fixação do acesso (esparadrapo, gaze, curativo transparente ou micropore).
  • Extensor de equipo (caso julgue necessário).
  • Garrote ou braçadeira.
  • EPIs (máscara, jaleco ou avental, toca e óculos de proteção).

Punção venosa periférica: passo a passo para realizar o procedimento

  • Higienize corretamente as mãos antes de iniciar o procedimento. Saiba como higienizar as mãos aqui.
  • Separe todo o material necessário, conforme mencionado no tópico anterior.
  • Lembre-se de verificar os 12 certos da administração de medicamentos, eles são: paciente certo, medicamento certo, dosagem certa, aspecto da medicação certa, validade certa, via certa, hora certa, compatibilidade da droga certa, orientação certa, direito de recuso em receber a medicação e registro certo. Também verifique o paciente possui alergia a medicação ou aos componentes da fórmula.
  • Apresente-se para o paciente e forneça orientações completas e precisas sobre o procedimento para o paciente e para familiares. Tire todas as possíveis dúvidas que eles possam apresentar. Não se esqueça de identificar corretamente o paciente, pelo prontuário, número do leito/quarto, pulseira de identificação, etc.
  • Calce as luvas de procedimento. Saiba como calçar luvas de procedimento aqui.
  • Realize a desinfecção da ampola ou frasco ampola com álcool a 70%, em toda a embalagem.
  • Diluir a medicação, no caso de frasco ampola (verifique em que tipo de líquido a medicação precisará ser diluída – se em soro ou em água destilada). Insira a quantidade correta de diluente. Não agite o frasco ampola, para evitar o surgimento de bolhas. Faça leves movimentos em sentido horário ou anti-horário, sem virar o frasco de ponta cabeça, até a diluição total do pó.
  • Aspire a medicação do frasco ampola ou da ampola. Retire o ar da seringa, apontando-a para cima, dando pequenos golpes com a ponta do dedo sobre o corpo da seringa ou elevando e girando o êmbolo da seringa delicadamente.
  • Cheque se o paciente já possui algum acesso venoso instalado. Caso tenha, verifique a compatibilidade da medicação que você administrará com a que foi anteriormente aplicada.
  • Conecte a seringa em nova agulha ou em scalp de tamanho adequado para o paciente e para a medicação.
  • Avalie os membros superiores do paciente. Avalie a presença de vasos sanguíneos de grosso calibre. Dê preferência as veias da fossa antecubital (dobra do braço), geralmente as veias cefálicas, basílica ou intermediária. As veias da porção superior da mão são mais finas, portanto, são mais frágeis e podem se romper com maior facilidade.
  • Após escolher a veia que irá puncionar, utilize o garrote ou braçadeira para diminuir o fluxo sanguíneo, fazendo com a veia salte e se destaque com maior facilidade.  Fixe o garrote a aproximadamente cinco centímetros do local que você irá puncionar. Não aperte muito o braço do paciente, pois isso irá gerar muito desconforto.
  • Você também poderá adotar as seguintes medidas para ajudar a veia a se destacar: a) solicite ao paciente que abaixo o braço, aumentando a quantidade de sangue no braço irá fazer com que a veia fique maior; b) peça que ele abra e feche a mão por várias vezes  ou c) aplique calor no local da punção.
  • Realize a antissepsia do local da punção com algodão embebido em álcool a 70%. Faça movimento únicos, no sentido de “baixo para cima”. Espere alguns segundos para que o álcool evapore completamente.
  • Com a sua mão não dominante, faça uma leve pressão sob a veia, em sua porção inferior e distante do local da inserção da agulha. Lembre-se que esse procedimento é opcional, e geralmente é utilizando quando a veia “dança” no braço do paciente.
  • Insira a agulha com o bisel voltado para cima em ângulo de 10º a 30 º, avançando cerca de 2 cm a 3 cm dentro da veia, até obter retorno venoso (isso geralmente ocorre quando volta uma pequena quantidade de sangue pela seringa ou pelo jelco ou  scalp).
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  • Libere o garrote.
  • Administre a medicação lentamente. Observe sempre a região de inserção da agulha quanto as seguintes características: elevação rápida do tecido (edema) – o que pode indicar que o medicamento está sendo injetado fora da veia; ardência – o que pode indicar a incorreta diluição da medicação ou que você está administrando a medicação rápido demais.
  • Após injetar toda a medicação, retire a agulha da veia tracionando lentamente para trás. Em seguida, aplique pressão com algodão ou quaisquer outros materiais estéreis na região, para conter o sangramento.
  • Solicite ao paciente para manter o braço dobrado para auxiliar a exercer pressão no local.
  • Registre no local da punção, os seguintes dados: seu nome e data da punção. A troca da punção deverá ocorrer conforme o protocolo de sua unidade de saúde.
  • Realize o descarte dos materiais. O descarte da agulha deverá ocorrer em embalagem específica, a prova de perfurações.
  • Realize a higienização das mãos.
  • Faça a devida anotação no prontuário do paciente.

Seguir todos esses passos é fundamental para garantir a segurança do paciente e do profissional na administração de medicamentos pela via venosa.

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Coleta de Sangue pela Via Endovenosa Periférica.

Dicas Essenciais Para a Punção Venosa

O local da inserção da agulha deverá ser monitorado regularmente. Os curativos transparentes são os mais ideais para essa função.

O período de troca da punção irá variar de acordo com a sua instituição de saúde.

Se surgir hematoma no local da punção, pode ser que houve transfixação da veia pela agulha. Nesse caso, deve-se retirar imediatamente a punção.

Caso seja necessária realizar nova punção, evite realizá-la no mesmo braço, pois assim você minimiza o desconforto do paciente

6 perguntas e respostas quanto a administração de medicação pela via venosa

A seguir detalhamos as seis principais dúvidas que podem surgir a respeito da execução desse procedimento:

1. Possuo uma dúvida na hora de administrar o medicamento, o que devo fazer?

Busque orientação com enfermeiro, médico e com o farmacêutico da unidade. Jamais administre uma medicação sem estar 100% seguro de fazê-lo.

2. Administrei a medicação e meu paciente apresentou uma reação, o que devo fazer?

Interrompa a administração imediatamente. Comunique a equipe de saúde sobre o ocorrido, pois o paciente precisará ser avaliado clinicamente.

3. Não entendi o que está escrito na prescrição, e agora?

Certifique-se com o profissional que prescreveu a medicação, seja médico ou farmacêutico, antes de realizar a administração.

4. O que a receita ou prescrição do paciente precisa conter, para que eu possa administrar o medicamento?

A prescrição precisa ser completa, ela deve conter: nome da droga, dosagem, horário de administração, nome do paciente, data, via e tempo de infusão. Caso não apresente esses dados, não administre o medicamento.

5. Não consigo visualizar nem sentir pelo tato nenhuma veia do paciente, o que devo fazer?

Em muitas situações, parece ser impossível puncionar determinado paciente, simplesmente pelo fato de que não conseguimos encontrar nenhum vaso sanguíneo de fácil acesso.

Nesses casos, adote os seguintes procedimentos:

  • a) busque, anatomicamente, o local da veia (isso exigirá amplos conhecimentos de anatomia dos vasos sanguíneos do braço e antebraço);
  • b) adote todos os procedimentos apresentados no passo 13º, para facilitar a punção;
  • c) solicite a outro profissional, que possua maior expertise nessa técnica, que realize o procedimento;
  • d) no caso de todos esses itens anteriores falharem, comunique ao enfermeiro, pois poderá ser necessário a realização de acesso venoso central.

6. O paciente apresenta muito receio de receber a medicação pela via venosa, e agora?

Alguns pacientes podem ter receio da punção venosa, principalmente devido a experiências ruins no passado, que possivelmente geraram desconforto.

Forneça todas as orientações possíveis sobre a medicação, riscos, benefícios, efeitos colaterais, ação da medicação, etc. O paciente tem o direito de se recusar a receber o medicamento, mediante assinatura de um termo de responsabilidade.

Caso ele ainda receei sobre o medicamento, discuta com sua equipe a possibilidade de a mesma medicação ser aplicada por outra via (oral, sublingual, anal), de acordo com o aval da equipe médica, de enfermagem e farmacêutica.

Essas foram as principais dicas sobre a realização da punção venosa periférica. Gostou? Compartilha sua opinião com a gente!

Juarez Coimbra

É enfermeiro, doutorando em Enfermagem pela Universidade Federal de Mato Grosso. É Especialista em Saúde Pública e um Apaixonado por Blogs, escreveu o seu primeiro na área de enfermagem ainda em 2014.

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