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As feridas cirúrgicas podem apresentar sérias complicações, principalmente nas primeiras horas após a cirurgia. Existem inúmeros fatores que podem contribuir para o não fechamento de uma lesão cirúrgica.

Para entendermos melhor, podemos dizer que existem fatores internos (aqueles que tem origem no organismo do paciente) e externos (fatores relacionados ao meio externo em que o paciente vive) que retardam o processo de cicatrização.

Fatores internos: desnutrição, idade, edema, oxigenação tecidual inadequada ou insuficiente, hidratação, diabetes, sepse e pacientes imunodeprimidos.

Fatores externos: manipulação inadequada da lesão, técnica inadequada de curativo, medicação tópica imprópria, presença de corpo estranho no leito da lesão, movimentos ou exercícios que podem comprometer o fechamento da lesão, etc.

enfermeira

Bem, como vimos, são muitos os fatores que podem desencadear complicações ou retardar o processo de cicatrização nos pacientes com feridas cirúrgicas. As complicações mais comuns são:

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Infecção no Leito da Ferida Cirúrgica

Embora as feridas cirúrgicas sejam consideradas limpas, pode-se haver contaminação e posterior desenvolvimento de infecção no local. O primeiro sinal da presença de infecção é a febre que pode ser detectada ainda no hospital, e geralmente surge após o segundo ou terceiro dia de internação.

O surgimento de infecção no leito da ferida pode estar relacionado a contaminação da técnica no momento de troca do curativo ou pode estar relacionada a contaminação no momento de sutura da pele, ainda no centro cirúrgico.

Assim, quantos antes identificarmos os sinais e sintomas da infecção, melhores serão as possibilidades de recuperação do paciente.

Aqui vale lembrar da necessidade de comunicar ao CCHI (Centro de Controle de Infecção Hospitalar) da sua unidade, para contribuir na identificação de processos ou técnicas para se evitar o surgimento de infecção.

As infecções tendem a ser mais graves em pacientes imunodeprimidos, com excesso de peso ou em idosos. Por isso, a equipe de enfermagem deverá redobrar os cuidados com esses pacientes.

Os pacientes podem apresentar no local da lesão: dor, edema, vermelhidão e aumento da temperatura local. Os sintomas sistêmicos incluem: taquicardia, febre, calafrios e mal-estar geral. A identificação do tipo de bactéria ou microrganismo que pode estar causando a infecção é importante para a definição do tratamento com antibióticos.

Na maioria dos hospitais, os médicos administram antibióticos de largo espectro, que podem combater tipos diferentes de bactéria, logo nos primeiros dias. Assim, os sintomas citados logo tendem a desaparecer.

Os cuidados com o curativo também são essenciais. A enfermagem deverá estar atenta aos seguintes pontos:

  • 1) o leito da lesão deverá estar sempre úmido, sempre com soro fisiológico aquecido a 36,6ºC. As bordas da lesão deverão estar protegidas por medicamentos barreira – para se evitar o contato de líquidos adstringentes, como fezes ou urina.
  • 2) O curativo precisa retirado e colocado na lesão facilmente. Além disso, não deverá deixar fiapos ou fragmentos no leito da lesão.
  • 3) O material do curativo deve proteger a lesão do meio externo.
  • 4) O curativo deve ter um custo-benefício ideal para o hospital e para o paciente.

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Trombose e Flebite

Os trombos são fragmentos de sangue coagulado que se formam devido a deficiências na cascata de coagulação e acabam por bloquear o fluxo sanguíneo de uma região. Já a flebite, está relacionada a inflamação das paredes das veias, de causa multifatorial. Ambas podem ocorrer devido à presença de ferida cirúrgica aberta ou que não está evoluindo vem quanto a sua cicatrização.

Em pacientes recém operados, a imobilidade e o longo período de repouso no leito no período pós-cirúrgico são desencadeadores de trombos e flebites. Por isso, recomenda-se que, assim que possível, o paciente deverá iniciar a deambulação precoce, uma vez que o caminhar estimula a circulação de sangue nos membros inferiores.

Os trombos podem provocar flebite, nesses casos, chama-se tromboflebite, e seus sintomas incluem: febre, dor no local, hipersensibilidade e edema.

Assim que a trombose e a flebite são diagnosticadas, inicia-se o tratamento, que incluirá anti-inflamatórios e anticoagulantes. O tratamento precisa ter início rápido, uma vez que o trombo pode se desprender e afetar outros órgãos vitais, como rins, pulmões, coração e cérebro.

Gangrena

Apesar de a gangrena ser rara, sua evolução e risco de morte são altas para o paciente. Ela se caracteriza por infecção pela bactéria estreptococo ou estafilococo que contaminam a lesão. Ela pode surgir nos primeiros dias pós-cirúrgicos ou quando a ferida já está em avançado nível de cicatrização.

A lesão torna-se inchada (edema local), a pele perilesional apresenta irritação e vermelhidão. No leito da lesão, podemos encontrar tecido de granulação inflamado ou pústulas de material sero-sanguinolento.

O tratamento consiste em remoção dos tecidos inviáveis (tecido morto) do leito da lesão e administração de antibióticos de largo espectro.

Fascite Necrosante

Esta evolução da lesão cirúrgica é comum em pacientes com sistema imunológico comprometido. Ela representa uma complicação cirúrgica grave e que requer tratamento imediato.

A Fascite necrosante ou “doença da bactéria devoradora de carne”, consiste em uma infecção por estreptococos que atinge a fáscia muscular e se espalha rapidamente. O tratamento consiste em antibioticoterapia intensa.

Deiscência da Lesão

Consiste na ruptura da cicatriz cirúrgica, ou seja, os pontos se abrem e expõe o tecido interno, podendo ou não ocorrer evisceração. A deiscência pode ocorrer logo nos primeiros dias ou quanto o paciente já está em casa se recuperando da cirurgia.

É uma complicação relativamente comum e está relacionada aos seguintes fatores:

Esforço muito grande no local da lesão, por isso, recomenda-se o repouso por no mínimo 15 dias.

Em pessoas obesas, o risco para deiscência é maior, uma vez que a pressão sob a pele é maior.

Os fios de sutura não eram os adequados para o paciente, ou a técnica de sutura realizada não foi a adequada.

Seroma

Trata-se do acúmulo de líquido abaixo da pele, sendo uma complicação relativamente comum no pós-cirúrgico. Está relacionada a problemas na permeabilidade do sistema linfático ou sanguíneo.

O tratamento se baseia na aplicação de curativos compressivos e na drenagem do seroma. Caso ele não seja removido, poderá estimular reações na pele que podem dificultar o processo de cicatrização. A reação mais comum é formação de uma cicatriz fibrótica.

Corpo Estranho

Na ferida cirúrgica, entende-se como corpo estranho, qualquer substância ou objeto que podem interferir no processo de cicatrização. Até mesmo os fiapos de uma gaze ou compressa, podem ser entendidos como corpo estranho e dificultar o fechamento da ferida.

Quando o corpo estranho entra em contato com a lesão, a mesma o encapsula, formando um tecido fibroso. A presença de pus é comum nessas situações.

Na maioria dos casos, a correta higienização com soro fisiológico e a exploração do local com pinças podem ajudar a remover o corpo estranho.

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Processo de Cicatrização Incompleto

A cicatrização consiste na completa recuperação dos tecidos subjacentes e na formação da cicatriz. No entanto, esse processo fisiológico pode ser interrompido ou sofrer a ação de meios externos, por exemplo, quando há reação intensa do sistema imune. É uma complicação relativamente comum no dia-a-dia.

Os queloides podem se desenvolver em feridas com excesso de tecido de granulação inflamado ou em lesões que sofreram constantes infecções durante o tratamento. Também é comum devido a problemas no sistema imune e devido a características genéticas.

Nos queloides, a cicatriz apresenta-se entumecida, com aspecto grosseiro. O tratamento é a base de corticoides.

Ossificação da Cicatriz Cirúrgica

É uma complicação muito rara. Consiste na presença de células que ossificam na cicatriz, devido ao excesso de depósito de cálcio, por meio de curativos e devido a fatores genéticos. É uma complicação tardia e geralmente surge em pacientes que passaram por laparotomia exploratória. O tratamento é cirúrgico. 

Essas foram as principais complicações que podem acometer nossos pacientes após uma cirurgia. Gostou? compartilhe esse conteúdo com seus colegas!

Juarez Coimbra

É enfermeiro, doutorando em Enfermagem pela Universidade Federal de Mato Grosso. É Especialista em Saúde Pública e um Apaixonado por Blogs, escreveu o seu primeiro na área de enfermagem ainda em 2014.

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