As vias de administração de medicamentos correspondem as possibilidades de aplicar a medicação nos pacientes e é de responsabilidade da enfermagem conhecer todas essas vias para a administração correta e segura da medicação.

Neste tutorial completo, vamos abordar todas as vias de administração de medicamentos, suas características bem como as vantagens e desvantagens.

Para definir a via de administração de medicamentos que você irá utilizar, é necessário se atentar para algumas questões:

  • A medicação deverá ser absorvida lentamente ou rapidamente?
  • Qual a quantidade de medicamento irei administrar?
  • Qual a indicação da via de administração a embalagem do produto me sugere?
  • Uma determinada via é melhor do que a outra?
  • A medicação que vou administrar só pode ser realizada por uma única via?
  • Quais as propriedades da medicação? Ela é lipossolúvel, hidrossolúvel, etc?

Respondendo a essas questões, ficará mais fácil determinar inicialmente, qual via você utilizará. Vamos conhecer quais são elas.

Conhecendo as Vias de Administração de Medicamentos

Existem, ao todo, dezoito (17) vias para administração de medicamentos, elas são:

  • Auricular ou Otológica
  • Intranasal
  • Intramuscular (IM)
  • Subcutânea (SB)
  • Intravenosa ou Endovenosa (IV ou EV)
  • Intradérmica (ID)
  • Ocular, Oftálmica ou Conjuntival
  • Oral
  • Sublingual
  • Transdermal ou Transdérmica
  • Respiratória ou Inalatória
  • Tópica
  • Epidural ou Intratecal
  • Retal
  • Intrapeniana
  • Intrauretral
  • Intravaginal

No corpo humano, as vias de administração de medicamentos se localizam nas seguintes regiões:

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Vias: ocular, oral, sublingual, transdermal, respiratória, tópica, epidural, retal, intravaginal e intrauterina.
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Vias: auricular, intranasal, intramuscular, subcutânea, intravenosa, intradérmica, intrapeniana e intrauretral.

Vantagens e Desvantagens das Vias de Administração de Medicamentos

A seguir, vamos detalhar a definição e as vantagens e desvantagens de cada uma das vias de administração de medicamentos.

Auricular ou Otológica

A via auricular corresponde a administração de medicamentos diretamente nos canais auditivos do paciente.

Geralmente, as medicações para serem administradas por essa via se apresentam no formato de solução otológica, ou seja, em gotas, pomadas, ou líquidos para irrigação.

Esta via de administração de medicamentos é utilizada com as seguintes finalidades:

  • Reduzir a infecção ou inflamação no canal auditivo.
  • Lubrificar e irrigar o canal auditivo para facilitar a retirada de corpo estranho.
  • Promover analgesia e diminuição do nível de dor do paciente (após algum procedimento ou cirurgia).
  • Ajudar a remover o cerume ressecado.

Atenção!

Lavagem Auricular pode ser feita pelo enfermeiro?

Resposta: Sim! Desde que observado alguns critérios, como: o procedimento deve estar definido previamente em protocolo da unidade de saúde e o profissional deve ter capacidade técnica comprovada mediante curso na área.

Todas essas atribuições encontram-se na norma técnica nº 5/2019 do Conselho Federal de Enfermagem.

Intranasal

Consiste na administração de medicamentos diretamente na mucosa nasal do paciente, ou seja, atuam unicamente nas vias aéreas superiores.

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Aplicação de medicação intranasal por meio de seringa

Um exemplo de medicação que pode ser utilizada nessa via são os descongestionantes nasais.

Uma das vantagens de utilizar essa via é que o efeito da medicação é rápido, pois evita que ela entre em contato com o fígado, o que diminuiria o seu efeito. Após administrar, o medicamento irá diretamente para a corrente sanguínea do paciente.

O enfermeiro deverá observar também, que a depender da medicação, poderá haver reações alérgicas ou irritações na mucosa nasal. Nesses casos, proceder para a diminuição da frequência de doses ou analisar a possibilidade de utilizar outra via.

Ocular, Oftálmica ou Conjuntival

Trata-se de administrar medicamentos diretamente na conjuntiva do paciente. Geralmente esses medicamentos se apresentam no formato de soluções ou colírios.

Possuem efeito apenas localmente. Os medicamentos podem ser utilizados para:

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Via intraocular
  • Promover analgesia e redução da dor.
  • Diminuição da inflamação ou infecção local.
  • Dilatação (midríase) ou retração (miose) das pupilas.
  • Promover a retirada de corpo estranho.
  • Realizar a coloração da córnea para detectar alguma ulceração ou alteração.

Assim como a via auricular, a via ocular promove apenas efeitos locais da medicação o que reduz a possibilidade de efeitos adversos. Além disso, deve-se observar a possibilidade de alergias ou irritações locais. Nesse caso, é necessário suspender a medicação imediatamente.

Oral

As medicações por via oral são administradas pela boca do paciente, sendo necessária a sua deglutição ou mastigação da substância medicamentosa.

Os medicamentos administrados por via oral apresentam grande variabilidade de forma e apresentação, e podem ser: comprimidos, drágeas, pós, soluções, xaropes, pastilhas, cápsulas, etc.

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Medicamentos em formatos diferentes para via oral

As substâncias administradas por via oral passam pelo tudo digestivo até serem absorvidos e atuarem diretamente nos órgãos ou tecidos alvo. Essa passagem pelo tubo gástrico pode reduzir o efeito da medicação, uma vez que ela será redirecionada para o fígado, que irá neutralizar uma grande parte da medicação.

A via oral apresenta as seguintes vantagens:

  • É barata, pois não exige nenhum equipamento especial para seu uso.
  • A medicação pode ser administrada pelo próprio paciente (automedicação).
  • É indolor. Apesar de que alguns fármacos possam possuir gosto desagradável, o desconforto é passageiro.
  • Existe a possibilidade de retirar o medicamento, por meio de: lavagem gástrica ou pelo vômito do paciente, bem como neutralizar o seu efeito por meio da administração de carvão ativado.
  • Os efeitos podem ser localmente (como atuar no estômago) ou sistematicamente (para aliviar a dor, por exemplo).
  • Alguns medicamentos, como as drágeas, possuem revestimento especial que impedem a absorção pelo estômago, e são liberadas nos intestinos, promovendo uma boa terapêutica local.

Apesar das vantagens, a via oral apresenta as seguintes desvantagens:

  • Podem promover irritação da mucusa gástrica, o que pode levar o paciente a ter náuseas, vômitos e diminuição do apetite.
  • Pode ter absorção variável a depender de muitos fatores, como contato com alimentos, sucos digestivos ou outras substâncias.
  • Em pacientes inconscientes, deve-se analisar a possibilidade de administrar a medicação via sonda nasogástrica ou nasoenteral.

Sublingual

A via de administração sublingual compreende promover o contato de substância medicamentosa com a mucosa que se encontra abaixo da língua.

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Via sublingual

Essa mucosa é ricamente vascularizada, ou seja, permite a absorção rápida da medicação. Além disso, evita-se o contato da medicação com o fígado, o que reduziria o seu efeito no organismo.

Além disso, é necessário que a medicação seja indicada para ser administrada nessa via, ou seja, ela precisa se desintegrar rapidamente.

Um exemplo bastante comum para o emprego dessa via é a utilização de medicamentos que diminuem a pressão arterial rapidamente, em situações de urgência ou emergência.

As vantagens dessa via são:

  • A absorção, como comentado anteriormente, é bastante rápida.
  • Não há contato do medicamento com o suco gástrico ou com outras substâncias do trato gastrointestinal, o que poderia diminuir ou até mesmo neutralizar o seu efeito.
  • A administração do medicamento é melhor tolerada por pacientes pediátricos ou psiquiátricos, pois não exige a deglutição do medicamento.
  • Algumas indústrias inserem “sabores artificiais” no medicamento, a fim de torná-lo mais palatável.

Em relação as desvantagens, temos:

  • A ação do medicamento é curta, uma vez que a absorção é rápida.
  • Podem ter a sua ação reduzida devido a ingestão conjunta de alimentos ou bebidas.
  • A dose tolerável é pequena, geralmente admite-se a administração de apenas um ou dois comprimidos.
  • Algumas medicações podem apresentar gosto desagradável.

Respiratória ou Inalatória

A via de administração de medicamentos chamada de respiratória ou inalatória compreender a absorção de medicamentos na mucosa inferior do sistema respiratório, ou seja, nos alvéolos dos pulmões.

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Vias aéreas inferiores

A absorção do medicamento é rápida, sendo os efeitos locais e sistêmicos. Os medicamentos que podem ser usados, são: broncodilatadores ou broncoconstritores, anestésicos gerais, antianginosos, etc.

As principais vantagens dessa via são:

  • Como os pulmões são ricamente vascularizados e a sua superfície interna é grande, o efeito do medicamento é considerado rápido.
  • Não existe o efeito de primeira passagem, pelo fígado, ou seja, o medicamento vai diretamente para a corrente sanguínea.
  • É um procedimento indolor. Geralmente, o paciente pode apresentar desconforto apenas relacionado à máscara de inalação.

Em relação às desvantagens, temos:

  • Para a correta absorção, o medicamento precisa conter partículas muito pequenas. O indicado é que tenham o tamanho inferior a 1 micrômero.
  • Pode produzir reações medicamentosas graves, caso o paciente apresente, por exemplo, alergia à determinado medicamento.
  • Geralmente se tem pouco controle da dosagem que foi administrada.

Transdermal ou Transdérmica

Essa via permite a administração direta de medicamento sob a pele íntegra do paciente exclusivamente por meio de adesivos, filmes medicamentosos ou microagulhas.

Um exemplo de medicação que pode ser aplicada por essa via são hormônios, medicamentos para dor aguda relacionada a musculatura, etc.

As principais vantagens desta via são:

  • A concentração de medicamento na corrente sanguínea é constante. O que traz maior controle sobre a dosagem.
  • Pode ser facilmente aplicado na pele pelo próprio paciente.
  • Facilita a adesão a terapêutica, uma vez que o adesivo pode permanecer na pele por um longo período de tempo.

No que concerne às desvantagens, temos:

  • A quantidade de medicamentos que podem ser administrados por essa via é reduzida.
  • A pele pode ficar irritada no médio ou longo prazo de administração do medicamento. Para ajudar a aliviar a irritação, recomenda-se rodízio do local de aplicação.
  • No que cabe à dosagem, ela é relativamente menor quando comparado às vias injetáveis.

Intradérmica

Corresponde a aplicação de medicamento entre as camadas superficiais da epiderme e derme, formando uma pequena pápula.

Essa via possui pouca capacidade de absorção (de 0,1 mm até 0,5 mm), uma vez que ela é lenta, além do que a quantidade de medicamento que pode ser utilizada também é pequena.

Essa via é comumente utilizada para prova de tuberculose, o chamado teste PPD, testes de sensibilidade e de alergias além de ser utilizada na administração da vacina BCG, para o combate a tuberculose.

Geralmente, o local de utilização para a administração de medicamentos via intradérmica é o antebraço. Isso porque a região é de fácil acesso, com poucos pelos e a vascularização é baixa na região.

As principais vantagens dessa via são:

  • A adesão ao tratamento é relativamente alta.
  • Evita-se a passagem da medicação pelo fígado.

As desvantagens são:

  • Podem haver dor, prurido e desconforto na região após a administração do medicamento.
  • Pode haver hematoma ou formação de úlceras no local da aplicação. Geralmente isso ocorre devido à rápida administração do medicamento sob a pele. O indicado é fazer a aplicação lentamente.
  • A liberação da medicação é lenta e pode irritar a pele adjacente.
  • A capacidade de medicação dessa via é limitada.

Tópica

Essa via consiste na administração de medicamento diretamente na superfície da pele. Geralmente eles se apresentam sob a forma de pomadas, cremes, unguentos ou sprays.

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Via tópica

São exemplos de medicações tópicas: antimicóticos e analgésicos locais.

A medicação tópica age somente no local onde foi aplicada, devido ao fato de que a própria pele atua como barreira de proteção.

As vantagens são assim descritas:

  • Minimiza o efeito sistêmico da medicação, uma vez que a aplicação é local.
  • Evita-se o efeito da passagem pelo fígado, o que diminuiria o efeito do medicamento.

Em relação às desvantagens, temos:

  • A quantidade de medicamento que é absorvida é pequena.
  • Podem ocorrer irritações alérgicas no local.
  • Pode, em contato com a luz solar, produzir irritações e vermelhidões na pele (chamada irritação de fotossensibilidade).

Subcutânea

Trata-se de administrar medicamentos diretamente no tecido subcutâneo do paciente.

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Pinça da prega lateral do braço com os dedos, para acesso à via subcutâncea.

Essa aplicação geralmente ocorrem em áreas com camada gordurosa mais espessa, como porção inferior do abdômen, dorso do braço, etc.

Alguns medicamentos que podem ser administrados por essa via são: insulinas, hormônios, vacinas, medicações anticoagulantes, etc.

As vantagens são:

  • O período de absorção da droga é lento e contínuo. O que impede que o organismo receba grandes quantidades de medicamento rapidamente.
  • A adesão ao tratamento é alta, uma vez que a aplicação é relativamente fácil.
  • A dor ou desconforto na região é minimo e tolerável.
  • Permite a auto medicação.

As desvantagens são:

  • É necessário realizar o treinamento do paciente para manuseio correto e aplicação eficaz da medicação pela via subcutânea, principalmente em pacientes diabéticos.
  • A longo prazo, pode causar irritação na camada gordurosa da pele (lipodistrofia). Deve-se orientar o paciente a sempre fazer o rodízio do local de aplicação.

Intravenosa ou Endovenosa

Dentre as vias de administração de medicamentos, esta é a via mais rápida, pois a medicação entra rapidamente na corrente sanguínea e tem acesso direto aos órgãos ou tecidos alvo.

Esta via de administração de medicamento é amplamente utilizada pela enfermagem na área hospitalar. Portanto, conhecer suas características é essencial! Ela se divide em dois tipos: Acesso venoso periférico e acesso venoso central.

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Via intravenosa

Acesso venoso periférico: utilizado para a maioria das medicações. Geralmente são utilizadas as veias do braço ou punho. Saiba como realizar a punção venosa periférica em detalhes aqui.

Acesso venoso central: utiliza apenas veias de grande calibre, como a jugular interna, subclávia e femoral. É utilizado quando as vias periféricas são inviáveis ou quando se quer um acesso de maior calibre.

Essa via consiste em administrar a droga ou medicamento diretamente na corrente sanguínea do paciente por meio de cateter agulhado.

Portanto, ela requer, assim como outras vias, o domínio da técnica correta de utilização, pois o profissional de enfermagem deverá utilizar técnica estéril para evitar o risco de infecção.

As vantagens desta via são:

  • Efeitos rápidos da medicação.
  • É utilizada amplamente para administrar drogas variadas e que precisam atuar rapidamente, como nos casos de parada cardíaca.
  • Pode-se controlar a dosagem facilmente por meio do cálculo do gotejamento.
  • Também é possível administrar grandes quantidades de medicação.

Dentre as desvantagens, temos:

  • Risco de infecção local e sistêmica, devido à inserção do cateter ou erro na técnica de administração.
  • Requer treinamento do profissional para executar a técnica corretamente.
  • É necessário consultar o paciente quanto a possíveis alergias.
  • Também é importante monitorar o estado geral do paciente, principalmente nos primeiros minutos da administração do medicamento, pois há risco de reações alérgicas graves. Lembre-se: uma vez que o medicamento esteja na corrente sanguínea do paciente, não há como remover a medicação do sangue.
  • Também se faz necessário monitorar o local de inserção do cateter, para verificar sinais de infecção ou inflamação.

Intramuscular

A via intramuscular é a segunda mais rápida depois da endovenosa/intravenosa. Estudos indicam que a medicação começa a atuar após trinta minutos a partir da aplicação.

Essa via de administração de medicamento consiste em introduzir a medicação diretamente na massa muscular do paciente.

intramuscular
Via intramuscular

Os músculos utilizados podem ser: deltoide (para vacinas ou pequenas doses de medicamentos), vasto lateral da coxa (geralmente utilizada em recém-nascidos ou crianças) e glúteo (para quantidades um pouco maiores de medicamentos).

Criança recebendo vacina no músculo vasto lateral da coxa.

As vantagens dessa via de administração de medicamento são:

  • Ação rápida do medicamento e liberação lenta para a corrente sanguínea.
  • Evita-se que o medicamento passe pelo fígado, o que reduziria seu efeito.
  • A dosagem pode ser bem controlada pelo profissional de enfermagem.
  • Pode ser utilizada em pacientes inconscientes ou incapazes de deglutir a medicação, ou ainda para aqueles que apresentam vômitos constantes.
  • Pode ser utilizada para administrar medicamentos oleosos e mais densos, que poderiam ser irritantes em outras vias.

As desvantagens dessa via são:

  • Devido ao fato de o músculo ser um tecido altamente vascularizado, corre-se o risco de sangramento ou hemorragia.
  • É necessário o treinamento da equipe quanto às agulhas que podem ser utilizadas, anatomia dos músculos e localização das principais terminações nervosas.
  • Pode-se formar abcessos no local da punção.
  • A depender do tipo de medicação, o procedimento pode ser doloroso para o paciente.
  • Para usar esta via, o paciente deve ter uma boa massa muscular. Geralmente, pacientes que estão a muito tempo acamados apresentam degeneração da massa muscular. Avaliar o paciente corretamente antes de utilizar esta técnica.
  • Não permite administrar grandes volumes de medicação.

Epidural ou Intratecal

Essa via permite acesso direto ao sistema nervoso do paciente. Ela é epidural quando realizada no canal medular, e intratecal quando realizada no espaço subaracnoide.

As vantagens são:

  • Acesso direto ao canal medular do paciente.
  • Menores complicações neurológicas.
  • Redução de possíveis distúrbios na pressão sanguínea do paciente.
  • Via de ótimo acesso para administrar analgésicos epidurais ou para coletar material para exame.

Desvantagens:

  • Geralmente essa via causa certo desconforto no paciente.
  • Após o procedimento, o paciente pode apresentar dor no local da punção.
  • Em casos de anestesia, o paciente pode ter outras complicações, como dificuldade em urinar, náuseas, cefaleia e formigamento nos membros inferiores.

Retal

A via retal consiste em aplicar a medicação ou droga na mucosa anal do paciente.

Essa via é muito utilizada em casos de constipação intestinal e para alívio de gazes e fezes ressecadas (fecalomas).

Geralmente as medicações vem em formato de clister ou supositórios compostos basicamente por óleos, gelatinas ou glicerina, que facilitam a entrada da medicação no canal anal. Também podem ser feitas irrigações ou medicações para limpeza do canal intestinal com fins diagnósticos.

A medicação pode ter atuação nos tecidos locais ou ter efeitos sistêmicos. Essa via é eficaz porque a mucosa anal é ricamente vascularizada e por isso, permite a absorção rápida da medicação.

As principais vantagens são:

  • É uma via que pode ser utilizada por pacientes que não podem receber medicação por via oral.
  • Geralmente essa via é muito utilizada em pediatria e geriatria.
  • A depender do tipo e da composição da medicação, a absorção é rápida.

As desvantagens apresentadas são:

  • A absorção da medicação é irregular.
  • Pode ocorrer irritação da mucusa anal. Principalmente se o medicamento for irritante. Nesse caso, deve-se suspender o seu uso imediatamente.
  • Pode haver sangramento da mucusa se a medicação for inserida bruscamente ou não seguir a técnica adequada.
  • Pode desencadear o reflexo de defecação. A não ser que este seja um objetivo da medicação, considera-se que esta seja uma desvantagem.
  • Alguns pacientes podem apresentar aversão a essa via de administração de medicação (preconceito).

Intrapeniana

Consiste em aplicar a droga na uretra intrapeniana do paciente.

Geralmente as medicações assumem diferentes formatos, como cremes, géis, supositórios ou pomadas. Também é possível realizar irrigações e lavagens para reduzir e tratar infecções, inflamações ou retirar corpo estranho do canal uretral.

Esta via geralmente é utilizada para tratamentos de distúrbio de disfunção erétil ou de ejaculação precoce.

A vantagem da via é:

  • Ação rápida e localizada.

As desvantagens são:

  • Pode haver irritação da mucosa local.
  • Os efeitos podem ser reduzidos devido a entrada da medicação na corrente sanguínea e posterior passagem pelo fígado.

Intrauretral

Consiste em administrar medicamentos na uretra do paciente.

É útil para o combate de infecções locais, no entanto, devido ao desconforto, prefere-se utilizar outras vias de administração de medicamentos.

Vantagens:

  • Acesso rápido e direto aos tecidos uretrais.
  • Rápida absorção do medicamento.

Desvantagens apresentadas:

  • Pode gerar desconforto no paciente. Geralmente há queixa de dor no local ou reflexo de para expelir urina, sensação falsa de “bexiga cheia”.
  • Pode haver irritação da mucosa local.

Intravaginal

A via intravaginal consiste em medicamentos inseridos na mucosa do canal vaginal.

Esta via é bastante utilizada para o combate de infecções ou corrimentos bacterianos locais.

As formas farmacêuticas são as mesmas da via intrapeniana, ou seja, podem ser utilizados cremes, pomadas, geleias, etc.

A vantagem da via é:

  • Rápida ação local, uma vez que a medicação entrará em contato diretamente com os tecidos afetados.

As desvantagens são:

  • Pode haver irritação da mucosa vaginal, principalmente se o medicamento for aplicado por longos períodos.
  • Exige técnica asséptica e correto manuseio do aplicador para evitar laceração da mucosa.
  • Pode haver baixa adesão da paciente.

Agora que você conheceu as características e as vantagens e desvantagens das vias de administração de medicamentos, vamos saber como elas são classificadas!

Como são Classificadas as Vias de Administração de Medicamentos?

As vias são classificadas em duas categorias de acordo com a passagem ou não pelos intestinos:

Enteral: é quando o medicamento passa pelo intestino (enteral = intestino), o que pode reduzir o efeito da medicação, mas é menos invasivo.

Parenteral: é quando a medicação não passa pelo intestino, o que permite um acesso mais rápido ao órgão ou tecido alvo da medicação. Ela é mais rápida e mais invasiva.

Vamos ver como fica a divisão das vias de administração de medicamentos por meio do esquema abaixo:

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Divisão das vias para administração de medicamentos

Finalizando…

Neste post, você conheceu as principais características das vias de administração de medicamentos na enfermagem assim como suas vantagens e desvantagens!

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Juarez Coimbra

É enfermeiro, doutorando em Enfermagem pela Universidade Federal de Mato Grosso. É Especialista em Saúde Pública e um Apaixonado por Blogs, escreveu o seu primeiro na área de enfermagem ainda em 2014.

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